Fonoaudióloga Viviane Fontes

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Reabilitação cognitiva como auxílio para Doença de Alzheimer

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Estabilizar e retardar o quadro de demência e das atividades de vida diária nos pacientes com Alzheimer é o desejo de cuidadores e profissionais de saúde.

     A terapia de reabilitação cognitiva tem como objetivo a capacitação e o treinamento específico individualizado do paciente e da família de acordo com a sua realidade e necessidades de criar estratégias facilitadoras para melhorar a capacidade cognitiva do paciente. "É feito um planejamento terapêutico após a avaliação do paciente e são orientadas as atividades que irão beneficiar o portador de DA", explica Viviane Fontes, fonoaudióloga da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e professora de Pós Graduação em Fonoaudiologia Hospitalar da UNIGRANRIO.

     Para a fonoaudióloga, a Doença de Alzheimer tem uma característica muito marcante que é evidenciada pela perda progressiva da memória e de funções cognitivas que podem levar ao prejuízo de atividades da vida diária bem como atividades relacionadas ao trabalho. Atualmente estima-se que pelo menos 5% da população acima de 65 anos tenham a doença. É um tipo de doença degenerativa do sistema nervoso central, ou seja, existe um comprometimento progressivo das funções cerebrais tais como o declínio da linguagem, da memória, do comportamento e de algumas habilidades motoras. "Esse tipo de quadro é devido a uma atrofia cerebral que geralmente ocorre nas áreas frontais, temporoparietais e hipocampo do nosso cérebro", explica.

     A doença tem diferentes fases. 1) fase leve - o paciente pode apresentar pequeno comprometimento na realização de tarefas diárias e de memória. 2) fase moderada - há um comprometimento intelectual mais acentuado, necessitando auxilio de um cuidador permanente ao lado do paciente para a realização de suas tarefas diárias, e 3) fase grave - o paciente geralmente fica acamado, necessitando de assistência integral, pois pode apresentar problemas para engolir, incontinência urinária, sinais neurológicos, dentre outros.

     A característica principal da doença - é a falha na memória. Geralmente o paciente apresenta quadro de esquecimentos de forma geral, como: onde está, o nome de uma pessoa, objeto ou de como fazer determinada tarefa. É através desse tipo de sintoma, é que o familiar busca uma consulta médica e avaliação do problema. Alguns testes podem ser realizados com o paciente, como: o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) que tem como objetivo auxiliar no diagnóstico da Doença de Alzheimer, pois avalia diversas funções entre linguagem e evocação, memória, atenção, orientação espacial e temporal, que muitas vezes encontram-se prejudicados com o quadro clínico.

     Para a fonoaudióloga Viviane Fontes, a terapia de reabilitação cognitiva associada ao tratamento medicamentoso pode auxiliar na estabilização do déficit cognitivo e das atividades de vida diária nos quadros iniciais da Doença de Alzheimer. "Em casos mais leves da doença, pode haver uma pequena melhora nos déficits cognitivos e funcionais, proporcionando uma melhora na qualidade de vida do paciente, do cuidador e dos familiares", orienta.

     Segundo a especialista, técnicas como associação de estímulos são muito proveitosas na reabilitação, pois facilita a aprendizagem e a memorização, como por exemplo associação do estimulo visual e auditivo mostrando-lhe um objeto e dizer o nome do mesmo e dar função a este objeto, mostrar para que serve, são estratégias facilitadoras para estimular a memória. O mesmo também pode ser feito com o estimulo tátil, como por exemplo, mostrar um pente, dizer o nome, para que serve e pedir para o paciente fazer o movimento de pentear, bem como sentir toda a forma do pente. Esse tipo de estimulação multissensorial traz benefícios para o paciente relacionado ao processo de memorização.

     A fonoaudióloga orienta para fazer valer o "reforço positivo", ou seja, toda e qualquer atividade que seja feita corretamente, mesmo que através de pistas facilitadoras que levam ao acerto, deve-se associar sempre um elogio, como forma de motivação para uma próxima tarefa e para a facilitação da aprendizagem e memorização.

     Estratégias de facilitação para a memorização do paciente podem ser utilizadas, tais como: deixar sempre visível um calendário onde se pode anotar compromissos do paciente (como se fosse uma grande agenda), utilização de despertadores para associar com alguma tarefa, uso de cartazes ou sinalizações em lugares específicos da casa. A estimulação fonoaudiológica da fala e da linguagem pode ser feita através de diálogos contextualizados sobre um determinado tema (pode ser noticias de jornais ou revistas) que seja de conhecimento do paciente também. Pode-se também utilizar fotos, músicas, jogos que relembrem a juventude do paciente. "É importante sinalizar que algumas técnicas estão ligadas diretamente ao estado cognitivo do paciente, podendo assim necessitar de auxilio de um cuidador para serem realizadas", diz.

     A Terapia de Orientação da Realidade - tem como objetivo principal organizar a realidade do paciente criando meios facilitadores para que ele consiga se orientar e interagir socialmente de uma maneira geral e levar também esse tipo de informação principalmente a quem cuida do paciente. As informações devem ser passadas de forma clara e objetiva, se possível com demonstrações sobre aquilo que é dito. É muito importante que a família seja conscientizada sobre o problema e de como agir com o paciente.

     A fonoaudióloga Viviane Fontes dá dicas de como a família e/ou o cuidador pode ajudar no processo de intervenção na vida diária do paciente com Alzheimer.

1- Manter sempre visível um calendário e incentivar ao paciente a localizar o dia, mês e dia da semana bem como o ano que estamos. Isso tem o objetivo de treinar a orientação temporal do paciente.

2-Presença permanente de um relógio onde o paciente possa visualizar as horas e que o cuidador esteja sempre orientando quanto ao horário de refeições, remédios, dentre outras atividades, em que o paciente possa focar sua atenção nesse tipo de estímulo temporal.

3-Deixar sempre os móveis no mesmo lugar é uma atitude que beneficia a memorização e o reconhecimento do local onde ele vive, pois o paciente com Alzheimer pode ter dificuldades com mudanças de posição do mobiliário, podendo assim estranhar a própria casa.

4-Enfatizar sempre a troca verbal, ou seja, tentar dialogar e nomear o máximo possível de coisas, como objetos, roupas, atividades do dia a dia, para que o paciente seja estimulado a conversar, garantindo assim a estimulação da linguagem diariamente fazendo com que a deteriorização da mesma seja mais lenta.

5- Oferecer sempre opções de resposta mediante uma determinada pergunta, como por exemplo: Você quer vestir a calça ou a saia? (se possível mostrar).

6- Incentivar o paciente a participar sempre das tarefas diárias.

7-Quando estiver conversando com o paciente tentar manter o ambiente o menos ruidoso possível, pois estímulos auditivos como televisão ligada ou rádio ligado, podem dificultar a compreensão do que lhe é dito por conta da competição sonora além de que a maioria dos pacientes tem algum tipo de diminuição auditiva por conta da idade.